Quede Água – Lenine e Carlos Rennó | Ensaio Carbono

Quede Água | Álbum: Carbono | Autoria: Lenine e Carlos Rennó

Gravado no dia 22/04/2015 no Theatro Net Rio

 

QUEDE ÁGUA

Lenine / Carlos Rennó

Mameluco (Trama-Dueto Edições) / Gege Edições (Brasil e América do Sul) /Preta Music (resto do mundo)

 

A seca avança em Minas,

Rio, São Paulo.

O Nordeste é aqui, agora.

No tráfego parado onde me enjaulo,

vejo o tempo que evapora.

Meu automóvel novo mal se move,

enquanto no duro barro,

No chão rachado da represa

onde não chove,

surgem carcaças de carro.

Os rios voadores da Hileia

mal desaguam por aqui,

E seca pouco a pouco

em cada veia o Aquífero Guarani.

Assim, do São Francisco a San Francisco,

um quadro aterra a terra:

Por água, por um córrego, um chuvisco, nações entrarão em guerra.

Quede água? Quede água?

Agora o clima muda tão depressa,

que cada ação é tardia,

Que dá paralisia na cabeça,

que é mais do que se previa.

Algo que parecia tão distante

periga agora tá perto;

Flora que verdejava radiante

desata a virar deserto.

O lucro a curto prazo,

o corte raso, o agrotóxiconegócio;

A grana a qualquer preço,

o petrogaso-carbocombustível fóssil.

O esgoto de carbono a céu aberto

na atmosfera, no alto;

O rio enterrado e encoberto

por cimento e por asfalto.

Quede água? Quede água?

Quando em razão

de toda a ação “humana”

e de tanta desrazão,

A selva não for salva

e se tornar savana;

e o mangue, um lixão;

Quando minguar o Pantanal,

e entrar em pane

a Mata Atlântica, tão rara;

E o mar tomar toda cidade litorânea,

e o sertão virar Saara;

E todo grande rio virar areia,

sem verão virar outono;

E a água for commodity alheia,

com seu ônus e seu dono;

E a tragédia da seca, da escassez,

cair sobre todos nós,

Mas sobretudo sobre os pobres,

outra vez sem terra, teto, nem voz;

Quede água? Quede água?

Agora é encararmos o destino

e salvarmos o que resta;

É aprendermos com o nordestino que pra seca se adestra;

E termos como guias os indígenas,

e determos o desmate,

E não agirmos que nem alienígenas no nosso próprio habitat.

Que bem maior que o homem

é a Terra, a Terra e o seu arredor,

Que encerra a vida,

que na Terra não se encerra,

a vida, a coisa maior,

Que não existe

onde não existe água

e que há onde há arte,

Que nos alaga e nos alegra

quando a mágoa a alma nos parte,

Para criarmos alegria para viver

o que houver pra vivermos,

Sem esperanças,

mas sem desespero,

no futuro que tivermos.

Quede água? Quede água?

 

Lenine – voz, violão, dobro e coro

Bruno Giorgi – coro

JR Tostoi – guitarra, programações e edits

Guila – baixo e baixo synth

Bernardo Pimentel – coro

João Cavalcanti – coro

Carlos Trilha Muller – mini moog

Marcos Suzano – tar, derbak, pandeiro, talking drum e drum machine

 

 


 

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